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Dezembro de 1996! Eu, uma criança de 5 anos muito insistente, convenci meus pais a trocarem nossa GM Omega Suprema 4.1 GLS 1995, por um carro que eu vi na última página de um encarte que ganhei de um consultor em uma das revisões da Suprema na concessionaria Lagoinha Veículos: uma Blazer!
No sábado seguinte, depois de uma pequena decepção com a avaliação de nosso usado na extinta concessionaria Chevrolet Tania S/A, fomos até a Dirija, outra concessionária que não ficava tão longe. Esperei sentado em uma Blazer de cor Cinza Blanc 4.3V6, que estava exposta no Show Room. Ela era 1996/97, exatamente quando foi lançado o motor V6, o famoso Vortec. Finalmente a compra foi fechada: uma Blazer da mesma cor da que estava em exposição (pode até ser que fosse a mesma) e fiquei triste de saber que o carro ainda demoraria 1 semana para chegar.
O carro chegou, com aquele papel colado no para-brisa que servia de licença para utilização de veículo 0km que aguardava emplacamento, mas não demorou muito para irmos ao posto de vistoria da Alvorada, na Barra da Tijuca, no Rio, para emplacá-la. A placa era a LBL-9732, que decorei no primeiro dia de emplacada. Nesse mesmo ano eu estava alfabetizando na escola, então tirei de letra!
Com a Blazer vivemos momentos incríveis, foi o primeiro carro que me apaixonei na vida, descia na garagem para lavá-la ou apenas para apreciá-la. Era um carro muito imponente para a época, talvez um dos primeiros utilitários a se popularizar para uso em cidade.
Lá em casa era difícil ficarmos mais de 2 anos com os carros, então o medo de perdê-la com o passar do tempo era inevitável e isso acabou ocorrendo no mês de Julho do ano 2000, a querida Blazer foi trocada por um Astra GLS!
Jamais esqueci a Blazer, guardei com todo carinho o único registro que sobrou, uma foto onde estão meu irmão, meu tio, minha querida falecida avó e eu sentados em seu grande porta-malas.
Durante muito tempo, procurei minha querida Blazer em anúncios de jornais, quem sabe meus pais a comprariam de volta? Mas não obtive sucesso. Até que em 2008, com o avanço da tecnologia, consegui algo incrível! Na Internet encontrei o anúncio de uma Blazer 1996/97 Cinza em São Paulo e adivinhem só! Era ela!! Estava anunciada em uma agência, com o ano 97 pendurado no retrovisor! A pedida era 31 mil reais e em 2008 eu tinha apenas 17 anos, claro que não era possível comprá-la. Depois de alguns dias, o anúncio sumiu e eu a perdi de vista de novo.
A cada ano que passava eu pesquisava a placa paranoicamente a fim de saber se o carro estava sendo licenciado direitinho e em que cidade estava.
Em 2019, pude notar que o carro foi transferido de Campo Grande para Coxim, uma área rural de Mato Grosso do Sul.
Resolvi que precisava encontrar esse carro de qualquer jeito, nem que fosse para receber fotos. Fui um pouco mais longe com as pesquisas e cheguei ate o Vicente, o proprietário. No início ele até se assustou um pouco ao receber minha ligação, mas depois de contar minha história e enviar a famosa foto da família na Blazer, Vicente me enviou fotos, que me emocionaram mas disse que adorava o carro e não o venderia. Fiquei bem chateado, mas feliz por ele gostar tanto assim de algo que sempre foi muito querido por mim.
Após quase 1 ano de conversa, falando com o Vicente quase todas as semanas, eu insistia quase toda vez que me vendesse o carro, ate que um dia ele disse: “Deixa eu achar uma igual que eu te vendo”. Claro que ele nem precisou procurar, eu mesmo me encarreguei de encontrar uma em estado bem melhor e no bairro vizinho ao dele. Fechamos negócio e a Blazer subiu na cegonha com destino ao Rio de Janeiro no dia 5 de Setembro de 2020, o dia em que eu não dormi.
Uma semana depois, a Blazer chegou. Não demorou para que eu começasse uma minuciosa restauração, mantendo tudo como era, inclusive o toca CD da marca Pioneer modelo Deh 345, que meu pai instalou no lugar do Toca fitas que vinha de fábrica. Além disso, o emblema Dirija e o adesivo do canal infantil Cartoon Network também voltaram aos lugares que ocupavam enquanto o carro esteve conosco.
Hoje ela esta aqui, preservada e mantida com todo carinho. O passado não volta, mas essa foi a forma que consegui materializar momentos incríveis que vivi, sem deixar de escrever novas histórias.
 

A tão sonhada Blazer!

minha blazerGRANDE.jpg

Blazer à venda em 2008

Quando chegou, em 2020

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